Tuesday, April 21, 2020
Saturday, June 01, 2019
Cremação e sepultura
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
Instrução Ad resurgendum cum Christo
a propósito da sepultura dos defuntos
e da conservação das cinzas da cremação
a propósito da sepultura dos defuntos
e da conservação das cinzas da cremação
1. Para ressuscitar com Cristo, é necessário morrer com Cristo, isto é, “exilarmo-nos do corpo para irmos habitar junto do Senhor” (2 Cor 5, 8). Com a Instrução Piam et constantem, de 5 de Julho de 1963, o então chamado Santo Ofício, estabeleceu que “seja fielmente conservado o costume de enterrar os cadáveres dos fiéis”, acrescentando, ainda, que a cremação não é “em si mesma contrária à religião cristã”. Mais ainda, afirmava que não devem ser negados os sacramentos e as exéquias àqueles que pediram para ser cremados, na condição de que tal escolha não seja querida “como a negação dos dogmas cristãos, ou num espírito sectário, ou ainda, por ódio contra a religião católica e à Igreja”.[1]Esta mudança da disciplina eclesiástica foi consignada no Código de Direito Canónico (1983) e no Código dos Cânones da Igreja Oriental (1990).
Entretanto, a prática da cremação difundiu-se bastante em muitas Nações e, ao mesmo tempo, difundem-se, também, novas ideias contrastantes com a fé da Igreja. Depois de a seu tempo se ter ouvido a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, o Pontifício Conselho para os Textos Legislativos e numerosas Conferências Episcopais e Sinodais dos bispos das Igrejas Orientais, a Congregação para a Doutrina da Fé considerou oportuno publicar uma nova Instrução, a fim de repôr as razões doutrinais e pastorais da preferência a dar à sepultura dos corpos e, ao mesmo tempo, dar normas sobre o que diz respeito à conservação das cinzas no caso da cremação.
2. A ressurreição de Jesus é a verdade culminante da fé cristã, anunciada come parte fundamental do Mistério pascal desde as origens do cristianismo: “Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze” (1 Cor 15, 3-5).
Pela sua morte e ressurreição, Cristo libertou-nos do pecado e deu-nos uma vida nova: “como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivemos uma vida nova” (Rom 6, 4). Por outro lado, Cristo ressuscitado é princípio e fonte da nossa ressurreição futura: “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram….; do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida” (1 Cor 15, 20-22).
Se é verdade que Cristo nos ressuscitará “no último dia”, é também verdade que, de certa forma já ressuscitámos com Cristo. De facto, pelo Baptismo, estamos imersos na morte e ressurreição de Cristo e sacramentalmente assimilados a Ele: “Sepultados com Ele no baptismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos” (Col 2, 12). Unidos a Cristo pelo Baptismo, participamos já, realmente, na vida de Cristo ressuscitado (cf. Ef 2, 6).
Graças a Cristo, a morte cristã tem um significado positivo. A liturgia da Igreja reza: “Para os que crêem em vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna”.[2]Na morte, o espírito separa-se do corpo, mas na ressurreição Deus torna a dar vida incorruptível ao nosso corpo transformado, reunindo-o, de novo, ao nosso espírito. Também nos nossos dias a Igreja é chamada a anunciar a fé na ressurreição: “A ressurreição dos mortos é a fé dos cristãos: acreditando nisso somos o que professamos”.[3]
3. Seguindo a antiga tradição cristã, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos defuntos sejam sepultados no cemitério ou num lugar sagrado.[4]
Ao lembrar a morte, sepultura e ressurreição do Senhor, mistério à luz do qual se manifesta o sentido cristão da morte,[5]a inumação é, antes de mais, a forma mais idónea para exprimir a fé e a esperança na ressurreição corporal.[6]
A Igreja, que como Mãe acompanhou o cristão durante a sua peregrinação terrena, oferece ao Pai, em Cristo, o filho da sua graça e entrega à terra os restos mortais na esperança de que ressuscitará para a glória.[7]
Enterrando os corpos dos fiéis defuntos, a Igreja confirma a fé na ressurreição da carne,[8]e deseja colocar em relevo a grande dignidade do corpo humano como parte integrante da pessoa da qual o corpo condivide a história.[9] Não pode, por isso, permitir comportamentos e ritos que envolvam concepções erróneas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fusão com a Mãe natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reincarnação; seja ainda, como a libertação definitiva da “prisão” do corpo.
Por outro lado, a sepultura nos cemitérios ou noutros lugares sagrados responde adequadamente à piedade e ao respeito devido aos corpos dos fiéis defuntos, que, mediante o Baptismo, se tornaram templo do Espírito Santo e dos quais, “como instrumentos e vasos, se serviu santamente o Espírito Santo para realizar tantas boas obras”.[10]
O justo Tobias é elogiado pelos méritos alcançados junto de Deus por ter enterrado os mortos,[11]e a Igreja considera a sepultura dos mortos como uma obra de misericórdia corporal.[12]
Ainda mais, a sepultura dos corpos dos fiéis defuntos nos cemitérios ou noutros lugares sagrados favorece a memória e a oração pelos defuntos da parte dos seus familiares e de toda a comunidade cristã, assim como a veneração dos mártires e dos santos.
Mediante a sepultura dos corpos nos cemitérios, nas igrejas ou em lugares específicos para tal, a tradição cristã conservou a comunhão entre os vivos e os mortos e opõe-se à tendência a esconder ou privatizar o acontecimento da morte e o significado que ela tem para os cristãos.
4. Onde por razões de tipo higiénico, económico ou social se escolhe a cremação; escolha que não deve ser contrária à vontade explícita ou razoavelmente presumível do fiel defunto, a Igreja não vê razões doutrinais para impedir tal práxis; uma vez que a cremação do cadáver não toca o espírito e não impede à omnipotência divina de ressuscitar o corpo. Por isso, tal facto, não implica uma razão objectiva que negue a doutrina cristã sobre a imortalidade da alma e da ressurreição dos corpos.[13]
A Igreja continua a preferir a sepultura dos corpos uma vez que assim se evidencia uma estima maior pelos defuntos; todavia, a cremação não é proibida, “a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã”.[14]
Na ausência de motivações contrárias à doutrina cristã, a Igreja, depois da celebração das exéquias, acompanha a escolha da cremação seguindo as respectivas indicações litúrgicas e pastorais, evitando qualquer tipo de escândalo ou de indiferentismo religioso.
5. Quaisquer que sejam as motivações legítimas que levaram à escolha da cremação do cadáver, as cinzas do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesiástica.
Desde o início os cristãos desejaram que os seus defuntos fossem objecto de orações e de memória por parte da comunidade cristã. Os seus túmulos tornaram-se lugares de oração, de memória e de reflexão. Os fiéis defuntos fazem parte da Igreja, que crê na comunhão “dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja”.[15]
A conservação das cinzas num lugar sagrado pode contribuir para que não se corra o risco de afastar os defuntos da oração e da recordação dos parentes e da comunidade cristã. Por outro lado, deste modo, se evita a possibilidade de esquecimento ou falta de respeito que podem acontecer, sobretudo depois de passar a primeira geração, ou então cair em práticas inconvenientes ou supersticiosas.
6. Pelos motivos mencionados, a conservação das cinzas em casa não é consentida. Em casos de circunstâncias gravosas e excepcionais, dependendo das condições culturais de carácter local, o Ordinário, de acordo com a Conferência Episcopal ou o Sínodo dos Bispos das Igrejas Orientais, poderá autorizar a conservação das cinzas em casa. As cinzas, no entanto, não podem ser dividias entre os vários núcleos familiares e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de conservação das mesmas
7. Para evitar qualquer tipo de equívoco panteísta, naturalista ou niilista, não seja permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou, ainda, em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objectos, tendo presente que para tal modo de proceder não podem ser adoptadas razões de ordem higiénica, social ou económica a motivar a escolha da cremação.
8. No caso do defunto ter claramente manifestado o desejo da cremação e a dispersão das mesmas na natureza por razões contrárias à fé cristã, devem ser negadas as exéquias, segundo o direito.[16]
O Sumo Pontífice Francisco, na Audiência concedida ao abaixo-assinado, Cardeal Prefeito, em 18 de Março de 2016, aprovou a presente Instrução, decidida na Sessão Ordinária desta Congregação em 2 de Março de 2016, e ordenou a sua publicação.
Roma, Congregação para a Doutrina da Fé, 15 de Agosto de 2016, Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria.
Gerhard Card. Müller
Prefeito
Prefeito
+Luis F. Ladaria, S.I.
Arcebispo titular de Thibica
Secretário
Arcebispo titular de Thibica
Secretário
[1] AAS 56 (1964), 822-823.
[2] Missal Romano, Prefácio dos Defuntos I.
[3] Tertuliano, De resurrectione carnis, 1,1: CCL 2, 921.
[7] Cf. 1 Cor 15,42-44; Catecismo da Igreja Católica, n. 1683.
[8] Cf. Santo Agostinho, De cura pro mortuis gerenda, 3, 5: CSEL 41, 628.
[9] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 14.
[10] Cf. Santo Agostinho, De cura pro mortuis gerenda, 3, 5: CSEL 41, 627.
[11] Cf. Tb 2, 9; 12, 12.
[13] Cf. Suprema e Sagrada Congregação do Santo Ofício, Instrução Piam et constantem, de 5 de Julho de 1963: AAS 56 (1964), 822.
https://bit.ly/33ZpO61
Monday, May 27, 2019
Sunday, May 26, 2019
Instalar Ubuntu no Windows
https://www.tecmundo.com.br/software/141620-ubuntu-instalado-dentro-windows-10-aprenda-fazer.htm
Monday, June 26, 2017
Os 12 símbolos mais importantes das catacumbas cristãs
https://pt.aleteia.org/2017/06/22/os-12-simbolos-mais-importantes-das-catacumbas-cristas/
Os 12 símbolos mais importantes das catacumbas cristãs
Maria Paola Daud | Jun 22, 2017
Sue McDonald | Shutterstock
As mensagens de fé transmitidas por desenhos na clandestinidade
As catacumbas romanas eram galerias subterrâneas que formavam verdadeiros labirintos de vários quilômetros, dentro dos quais os primeiros cristãos, considerados clandestinos e perseguidos pelo Império Romano, enterravam os seus mártires e, excepcionalmente, realizavam alguns ritos litúrgicos.
Muitas delas foram escavadas e ampliadas perto dos sepulcros de famílias importantes de Roma, cujos proprietários, recém-convertidos, as abriram para os irmãos na fé.
Com o Edito de Milão, no ano de 313, terminou oficialmente a perseguição contra os cristãos, que puderam começar a construir igrejas e adquirir terrenos para novos cemitérios. As catacumbas, porém, continuaram sendo usadas até o século V.

A origem da palavra “catacumba” é incerta, mas uma das possibilidades mais apontadas é que o termo venha do grego κατά (abaixo) e τύμβoς (túmulo). Outros estudiosos a consideram uma palavra híbrida formada pelo grego κατά e pela raiz latina –cumbo, que significa “jazer”, “estar deitado”.
O nome foi dado inicialmente ao cemitério de São Sebastião, onde haviam sido enterrados São Paulo e São Pedro. Depois, com as invasões de hordas bárbaras que destruíam e saqueavam tudo à sua passagem – inclusive as catacumbas, que costumavam ficar além das muralhas –, os papas decidiram transferir as relíquias dos mártires e dos santos para as igrejas de dentro da cidade. Pouco a pouco, as catacumbas foram perdendo relevância e caindo praticamente no esquecimento até serem redescobertas por operários em 1578.

Mas, séculos antes, elas tinham sido vívidos refúgios para os cristãos sepultarem os seus mortos e expressarem visivelmente a sua fé, com símbolos gravados nas paredes que chegam a ser verdadeiras obras de arte.
Estes eram os símbolos mais importantes:
O Bom Pastor

Com a ovelha nos ombros, ele representa Cristo Salvador e a alma que Ele salvou. O significado é bem explicado no Evangelho: Jesus é o pastor e todos os seus discípulos, de todos os tempos e lugares, são suas ovelhas; Ele as conhece uma por uma e pelo nome. A imagem do Bom Pastor mostra Jesus resgatando a ovelha perdida. Ela também alude à partida deste mundo, e, por isso, é com frequência encontrada em afrescos, relevos de sarcófagos e gravada sobre os túmulos.
A orante

Esta figura vestindo uma túnica de mangas largas e com os braços levantados em oração simboliza a intercessão pelo próximo e a felicidade da alma no Paraíso, além de evocar a crucificação de Cristo. Para saber mais sobre este símbolo riquíssimo da iconografia cristã primitiva, leia também o artigo “Em que postura os cristãos primitivos oravam”.
O Khi Rho

É o monograma de Cristo, formado por duas letras sobrepostas do alfabeto grego: o “X” (chi ou khi, pronciado “kh”) e o “P” (ro, pronunciado “r”). São as duas primeiras letras da palavra grega “Christòs” (pronunciado “Khristós”), ou seja, Cristo, “o Ungido”. Até hoje este símbolo está bastante presente em igrejas e altares. No cristianismo primitivo, o uso deste monograma gravado em um túmulo indicava que a pessoa falecida era cristã.
O peixe

Em grego, a palavra peixe é “IXTHYS” (pronuncia-se “ikhthys”, ou, simplificando, “ictís”). As letras dessa palavra formam o acróstico “Iēsous Christos Theou Yios Sōtēr”, que quer dizer “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” (em grego antigo, Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ ͑Υιός, Σωτήρ). Para saber mais sobre o uso deste símbolo fascinante, leia o artigo “Símbolo secreto cristão: por que o peixe?”.
A árvore
A árvore representa a vida que, a partir da terra, cresce voltando-se para o céu. Folhas, frutas e flores são sinais de vitalidade e símbolos da vida terrena que tende às “coisas do alto”, à vida espiritual, à ressurreição, à eternidade com Deus.
A pomba

Simboliza a alma que chegou à paz divina, mas também a intervenção salvífica de Deus, o Espírito Santo, a alma do cristão falecido e a paz.
O Alfa e o Ômega

São a primeira e a última letra do alfabeto grego e representam Cristo como o Princípio e o Fim de todas as coisas, conforme mencionado no livro do Apocalipse.
A âncora
A âncora cristã tinha a forma de dois braços cruzados e um anel no topo para a passagem da corda. Assim, ela se transformou numa alternativa de representação da cruz, em especial naquela época em que era perigoso revelar a própria religião. Mais adiante, a âncora reapareceu com outro significado: um símbolo da virtude teologal da esperança, porque, de acordo com São Paulo, Cristo é a âncora em quem podemos confiar.
A fênix
Nos contos antigos, esta mítica ave arderia em chamas ao morrer e, depois, renasceria das próprias cinzas. Tornou-se um criativo símbolo da ressurreição.
O cordeiro
Representa Jesus crucificado e transpassado pela lança; o “Cordeiro de Deus”, que se oferece em sacrifício pela salvação da humanidade. No ano 692, o Concílio de Constantinopla determinou que a arte cristã não mais representasse Cristo como cordeiro e sim na forma humana, a fim de evitar a confusão com um símbolo pagão similar: o do antigo culto a Dionísio, tido como o deus do vinho e dos prazeres carnais, a quem se sacrificavam cordeiros como forma de invocação.
O pavão
Esta ave era símbolo da ressurreição e da vida eterna porque, durante o inverno, perde as penas para ganhar plumagem nova e ainda mais bela na primavera, o que recorda que, para se chegar à vida nova, é preciso renunciar e sacrificar-se.
A barca

Representa a Igreja, evocando a Arca de Noé como meio de salvação e também a barca em que os discípulos, capitaneados por Cristo, atravessam em segurança as tormentas do mar da vida. O símbolo da barca, quando encontrado nos túmulos, representa ainda a esperança na eternidade.

















